segunda-feira, outubro 01, 2007

Só,sentada na espera


E fico aqui sentada e perdida,
no canto de nossa cama.
Castigo da ausência da noite de antes,
da noite em que em que no meu corpo te perdeste.
Da cama dantes em que acordas em silêncio,
com o morrer da lua em descanso.
Da noite com abraços e cordas,
que nos atou em juras roubadas e passadas,
em amores de marés inconstantes.
A saudade da noite passada corre-me pela cara
e a sombra do que escreveste não me deixa ver teus lábios.
Lábios quentes e húmidos que desejei,
perdição de meus sonhos em que me matei,
em que me escondo e recordo o seu sabor.
Onde me dás o teu tempo,
onde me agarras com força e me deixas tanto de ti
enquanto envenenas meus lábios com pecados teus
e me sussurras: "Amanha não estou aqui..."
Pois não, não estás!
E o que me resta
são lembranças amassadas com o teu perfume...e eu!
Eu, que ainda me lembro da tua voz...
Eu, que me arrependo de ter adormecido...
queria amar-te mais noite
e nunca ter-te perdido.

domingo, setembro 30, 2007

Ruas


Dá-te a perder nas ruas do meu mundo.
Perde-te nas minhas vielas de inseguranças,
conhece as valetas onde correm os meus desgostos,
onde as sombras escondem segredos.
Perde-te e descobre-me.
Sê meu cúmplice em cada beco,
sê meu amante em cada quarto
e companheiro de espera nos fumos quentes.
Faz-te da casa.
Vinca-me as esquinas com lembranças tuas,
mancha-me os lençóis com o teu cheiro,
e depois,
depois quando percorreres as minhas linhas
tão bem como contornares as minhas ruas,
deixa-me de ressaca
com a dor das lembranças,
deixa-me,pois não tenho mais com que te fazer sonhar.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Passos


Dos passos que apressam e desvanecem,
dos passos próximos que se esquecem,
dos que correm por desencontros
dos susceptíveis confrontos.
Dos que quase perguntam,
dos indiferentes,
dos teus
e dos meus ausentes.
Dos que a curiosidade não quer espreitar,
dos que demoram a chegar.
Dos passos mansos,
dos perversos,
dos astutos,
dos dispersos.
Dos passos que a ansiedade julga ouvir,
dos que preferem desistir.
Dos que saem do chão,
dos que vivem na ilusão,
dos arrastados,
dos batentes,
dos desinteressados
e dos teus...quentes.

sexta-feira, maio 26, 2006

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

by João Roiz de Castelo-Branco